5/31/2010

(...)

Sabe o que vem depois da morte? Tudo que você sonhou enquanto vivia. Tudo.





Tá, talvez não. Mas se isso fosse verdade e desse pra comprovar... pense no nightmare fuel.

5/30/2010

Pausa

Nada acontece no meu mundo por enquanto.

Estou preso em uma pequena área delimitada por seis barreiras físicas, imagine seis paredes, mas não sei se preso é a palavra certa, pois não saio daqui apenas por não querer. Algo nesse marasmo todo me retém. De certa forma, vejo-o como algo hipnótico, algo capaz de me tornar dependente químico. A cada segundo que passa despercebido aqui dentro, o conforto que sinto aumenta e ao mesmo tempo a vontade de voltar ao mundo exterior diminui. Não sei se conseguirei me livrar desse vício. Respirar reticências é muito bom.

Nada se torna cada vez mais perceptível.

Penso ouvir o tiquetaque de um relógio. Sinal de que ainda não cheguei ao estado de completa inércia criativa que almejo. Busco-o, pois criar, imagine imaginar, o tempo todo cansa. Já não criar por um momento sequer faz eu me sentir inútil. Quer dizer, isso no mundo lá fora. Aqui dentro, e só aqui dentro, sou capaz de tranquilizar meu espírito a ponto de alcançar um status que denomino apneia criativa. O ócio total não me causa remorso enquanto estou imerso neste completo e absoluto...

...abro um pouco os olhos.

As paredes são brancas. Só percebi agora.

Branco, falemos dele. Pensa ter provado do Vazio em sua forma mais pura, mas se engana, quem alega que a mente fica branca quando não se pensa em nada. Ora, “deu branco” é uma expressão tão erroneamente interpretada que sinto até certa pena dela. A brancura no mundo material não é ausência de cor, sabe-se; é a junção de todas as cores em um único espectro luminoso. Pois bem: de forma semelhante, a brancura que acomete os pensamentos não sinaliza a ausência deles, a falta da informação que deveria estar lá, engatilhada, pronta para ser usada na hora oportuna, quase concreta de tão compreensível. Pelo contrário: age como vírus, infiltra-se nas idéias e as corrompe, molda-as à sua imagem e semelhança, transforma-as em clones seus até que sua forma seja a única coisa restante na infeliz cabeça de quem a seu ataque se deixa sucumbir. Isso está longe de ser um verdadeiro Vazio criativo. Quando as idéias, de fato, fogem da cabeça de um indivíduo pensante, resta-lhe na verdade a cor invisível, a cor transparente, desculpe, mas dessa vez não posso mandar você imaginar nada, pois tal cor é exótica demais para ser associada a algo compreensível – é uma das poucas coisas sem sinônimo ou equivalente no mundo material. E o privilégio de vislumbrá-la é para poucos.

Nada continua acontecendo vigorosamente ao meu redor.

Se as paredes são brancas, são mesmo intransponíveis, constato. Ou ao menos seriam para meu eu real, caso ele quisesse sair do cubículo que o encerra neste inexato momento. Porém, como disse antes, eu seria capaz de deixar este lugar quando bem entendesse. Meu alter-ego imaginário viaja para além das fronteiras da mais selvagem das imaginações, mas no momento nem ele nem eu sentimos vontade de explorar o universo de possibilidades que parece só nós dois vemos. Sinto uma paz interior grande demais para se deixar interromper por uma reles sede de aventura. Paz interior...

...que, não muito depois deste meu último pensamento, é interrompida de maneira suavemente brusca.

Ouço passos vindo na minha direção. Não penso ouvir, ouço. Abro o restante dos meus olhos e espio os arredores daquilo que até momentos atrás era o sagrado templo onde eu venerava o Vazio, meu único deus. Sim, meu templo foi maculado. Maculado por um vulto. Um vulto que cresce à minha direita, primeiro em tamanho, depois em nitidez. Não demoro muito para conseguir identificar os detalhes e reconhecê-lo: é a mulher. A mesma que vem todos os dias – sim, dias; por alguma razão sei exatamente os intervalos de tempo entre suas visitas... talvez o som de relógio que vez ou outra ouço seja real – para tirar-me de meu sublime sono intelectual, imagine o que você leu até agora, e executar a mesma tarefa sumária, cujo intuito ainda não compreendi. Não gosto dela.

A herege, vestida em trajes brancos nem um pouco condizentes com o ato profano que acaba de realizar, diz algo, o mesmo algo diário ao qual já me acostumei, mesmo sua voz sendo grossa e abafada a ponto de ininteligível, agarra meu braço esquerdo, até então inerte, estirado e rente ao corpo, e com ele faz algo ainda incógnito para mim, pois quando tento erguer um pouco a cabeça para ver o que é, sinto-me tonto e desisto. A única pista disponível para tirar qualquer conclusão, uma fina dor na fronteira entre braço e antebraço. Insuficiente.

Feito o serviço, ela profere mais algumas palavras disformes e ineficazes, ingênua é se crê que eu os entendo, e pouco a pouco vai desaparecendo. Deve ter ido embora. Poucos segundos ou minutos ou horas depois, imagine a medida de tempo que lhe parecer mais adequada, torno ao magnífico estado de espírito em que me encontrava antes da brusca interrupção daquele vulto de voz gutural. Nada volta a permear o espaço à minha volta. E tudo está bem outra vez.

19/11/2009
Música correspondente: Autechre - 444.mp3

5/27/2010

(...)

Tem uma cruz ali em cima queimando meus neurônios.

Ela exorciza meus demônios.


Leia-se: não tenho o que fazer e não tenho o que escrever. O tédio me deixa pseudo, véio. Muito pseudo.


Injetando: Radiohead - Where I End And You Begin. (The Sky Is Falling In.).mp3

5/26/2010

Explode o ovo... digo, nasce o blog.

OLD
Esse não é o primeiro post, mas é como se fosse. Bom dia, seres humanos.