Besta, eu.
Não é erotomania, no máximo uma mania de perseguição gostosa de sentir. Todo mundo olha torto pra mim, menos ela; acho que é por isso que nossos olhares se encontram com tanta frequência. A pontaria dos olhos dela é melhor que a dos olhos dos outros. Ela é melhor que os outros.
Falando em olhos, ela mantém os meus bem abertos à noite. Como faz isso? Existindo. Não é todo mundo que consegue.
Ela existe em dois lugares, aliás. E isso, menos gente ainda consegue. Porque a minha imaginação e a realidade são imiscíveis, sabe? Ela é a exceção, o corpo estranho, a intrusa aqui nesse mundo de cima. Imune ao meu filtro, sei lá como. Mas eu não reclamo. Ela deixa o ambiente mais agradável, até.
Às vezes eu até consigo controlá-la. Só de leve, mas consigo. Faço ela olhar nos meus olhos mais vezes que de costume.
E quando tenho sorte, ela resolve bancar a professora. Tenta me ensinar a manusear sua contraparte prática, apesar de eu nem saber se um dia vou ter um exemplar em mãos. Com ela, aprendo com antecedência que cada braço tem a posição correta de encaixe, que saliva serve como cola e que o botão de ligar/desligar não existe. Viro profissional.
Mas continuo besta.
26/05/2010 ou 10/08/2010, não sei. Mais provável que seja a primeira data, mas o Windows me diz que é a segunda.
Música relacionada: eu, se eu fosse música. Mas como não sou, Incubus - Agoraphobia.mp3
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