7/01/2016

Decomposto

Em mim há algo de estragado,
Há algo de nojento.
Algo putrefato, pestilento.

Porque não fui embalsamado,
Tampouco me empalharam.
Meus órgãos, coitados, azedaram.

Virei zumbi, egrégia casca -
Não queiram ver por dentro.
Flácido, indolente, modorrento.

Visão do inferno? Não, nem tanto.
Apocalipse? Menos.
Filme de terror? Não sejam ingênuos.

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Me arrasto sem saber pra onde,
Persigo não sei quem.
Não alcanço nada nem ninguém.

Atrás, um rastro de catarro,
Saliva, pele solta
E até de sangue (uma ou outra gota).

À frente, só meu bafo podre,
meus braços semierguidos
E o som dos meus arrotos e gemidos.

E, mesmo tão desagradável
Aos olhos e às narinas,
Passar despercebido é minha sina.

Comecei dia 18/10/15, terminei hoje. Talvez não tenha terminado, na verdade.
Música relacionada: The Pretty Reckless - Zombie.mp3

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