Em mim há algo indesejado,
Há algo um tanto horrendo.
Algo que não sei se compreendo.
Porque estou vivo, isso é fato -
Minhas células comprovam.
Morrem às vezes, mas se renovam.
Não apodreço, não pereço;
Envelheço, mas renasço.
Me refaço, pedaço a pedaço.
E assim meu corpo segue sendo,
Mas a mente - eis a questão -
Não sabe o que é renovação.
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Me arrisco sabendo dos riscos;
Repito experimentos.
Reciclo suplícios e tormentos.
Resgato mágoas naufragadas,
Reenceno maus momentos.
Como mantras, recito lamentos.
Dou-me esperança e a retiro;
Sucumbo aos mesmos perigos.
Trato erros como velhos amigos.
Quero me amar, mas me maltrato
- Em resumo, não aprendo -
E assim, mesmo vivo, vou morrendo.
De hoje sim. Porque o futuro não parece bom, mas parece bom. Ou seja, não será bom de jeito nenhum.
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